Quando uma família tem dois filhos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), é comum surgir uma dúvida: é possível que os dois recebam o BPC/LOAS ao mesmo tempo?
Dependendo da situação, cada criança pode ter direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), desde que cumpra os requisitos previstos em lei.
O que é o BPC/LOAS?
O Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) é um benefício assistencial pago pelo Governo Federal às pessoas com deficiência e aos idosos que comprovem situação de vulnerabilidade social.
No caso das crianças autistas, o diagnóstico de TEA, por si só, não garante automaticamente o benefício.
O INSS analisa diversos fatores, entre eles:
- os impactos dessa deficiência na vida da criança;
- a situação econômica da família;
- os documentos apresentados durante o processo.
Duas crianças da mesma casa podem receber o BPC?
A resposta é simples. Não existe uma regra que impeça dois irmãos autistas de receberem o benefício apenas por morarem na mesma residência.
Se cada criança preencher os requisitos legais, ambas podem ter o benefício concedido.
Ou seja, o fato de um filho já receber o BPC não significa que o outro automaticamente perderá a possibilidade de solicitar.
Cada pedido deve ser analisado individualmente.
A renda da família continua sendo importante
Um dos pontos que mais gera dúvidas é justamente a renda familiar.
Como os dois pedidos pertencem à mesma família, a situação econômica será considerada nas análises.
Além da renda, também podem ser relevantes despesas contínuas relacionadas à deficiência, como:
- terapias;
- medicamentos;
- alimentação especial;
- fraldas;
- equipamentos;
- tratamentos que não são totalmente disponibilizados pelo SUS.
Esses gastos podem influenciar a análise da situação socioeconômica quando devidamente comprovados.
O erro que muitas famílias cometem
Em diversos casos, os pais nem chegam a solicitar o benefício para o segundo filho.
Isso acontece porque ouviram informações como:
- “Só um filho pode receber.”
- “O INSS nunca aprova dois benefícios na mesma casa.”
- “Se um já recebe, o outro perde o direito.”
Essas afirmações não correspondem, por si só, ao que determina a legislação.
Cada situação deve ser analisada de forma individual, considerando todos os requisitos exigidos para o benefício.
A preparação antes do pedido faz diferença
Um dos maiores equívocos é acreditar que basta preencher o requerimento no INSS.
Na prática, uma boa preparação costuma começar antes do protocolo.
Isso inclui organizar documentos, conferir informações do Cadastro Único, reunir laudos atualizados e apresentar corretamente os elementos que demonstram a realidade da família.
Quando essa etapa é negligenciada, aumenta o risco de pendências, exigências administrativas e até do indeferimento do pedido.
Quando procurar orientação jurídica?
A orientação jurídica não serve apenas para recorrer quando o benefício é negado.
Ela também pode ser importante antes do protocolo para avaliar:
- se os requisitos podem estar presentes;
- quais documentos merecem maior atenção;
- como organizar as informações da família;
- quais despesas devem ser comprovadas;
- quais pontos podem influenciar a análise do INSS.
Essa análise prévia ajuda a reduzir erros que poderiam comprometer o andamento do pedido.
É possível, sim, que duas crianças autistas da mesma família recebam o BPC/LOAS, desde que cada uma preencha os requisitos previstos para a concessão do benefício.
Como cada caso possui particularidades, a análise deve ser feita individualmente, considerando a documentação, a situação da família e os critérios utilizados pelo INSS.
Por isso, antes de protocolar o pedido, vale a pena entender como funciona essa avaliação e verificar se toda a documentação está organizada da forma mais adequada. Isso pode fazer diferença durante a análise do benefício.
